Itaú fecha compra da startup de IA NeoSpace por R$ 2,925 bilhões para desenvolver modelos fundacionais próprios
O Itaú Unibanco, maior banco da América Latina em ativos, assinou contrato para comprar a totalidade das ações da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace A.I. Technologies por R$ 2,925 bilhões, informou a Reuters em 26 de outubro, com base em fato relevante divulgado pelo banco. Uma parcela será paga no fechamento da operação e o restante será diferido ao longo de cinco anos, sujeito a determinadas condições. A conclusão depende de aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.
Fundada em 2023, a NeoSpace desenvolve grandes modelos fundacionais de dados, capazes de identificar padrões e relações complexas em volumes muito grandes de informação. A empresa não é uma desconhecida para o banco: segundo o Itaú, a NeoSpace já presta serviços há quase dois anos, treinando modelos que permitem aplicar IA generativa em escala em soluções para os negócios e os clientes do banco, e a Bloomberg Línea lembrou que o Itaú liderou uma rodada de US$ 18 milhões na startup no início de 2025. A transação será feita inteiramente em dinheiro, e a NeoSpace manterá gestão e estrutura autônomas, com o fundador Bruno Pierobon no cargo de CEO.
Pierobon é um nome conhecido no Itaú. Em 2019, o banco acertou a compra da Zup, outra empresa fundada por ele, que integra sistemas recém-desenvolvidos a estruturas legadas. De acordo com a Bloomberg Línea, o Itaú vê os modelos da NeoSpace como uma forma de personalizar o atendimento, combinando a tecnologia da startup com o conhecimento do banco em serviços financeiros para desenvolver modelos próprios.
O que muda na prática
Comprar uma desenvolvedora de modelos é uma estratégia diferente de licenciar ferramentas ou rodar projetos-piloto. O Itaú já usou parcerias para testar agentes, como na Batalha de Agentes que promoveu com o Google, e os concorrentes também se mexem, do Banco do Brasil, que adota autonomia gradual para seus agentes de IA ao assistente financeiro gratuito da Febraban no WhatsApp. Ter os próprios modelos dá ao Itaú controle sobre os dados que os alimentam, algo relevante enquanto o banco busca analisar o risco de cada cliente com mais informação e manter engajados os clientes que usam um só produto em seu aplicativo unificado.
Os próximos marcos são as análises do Cade e do Banco Central e eventuais detalhes sobre quanto dos R$ 2,925 bilhões será pago à vista. Para o ecossistema brasileiro de startups de IA, o preço estabelece uma nova referência para uma empresa local de modelos fundacionais com menos de quatro anos de vida.