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Ceia da UFG lança o Lumi, modelo gratuito de 4 bilhões de parâmetros em português que empresas podem treinar com seus próprios dados

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Ceia da UFG lança o Lumi, modelo gratuito de 4 bilhões de parâmetros em português que empresas podem treinar com seus próprios dados

O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da Universidade Federal de Goiás (UFG) lançou o CEIA Lumi, um modelo de linguagem aberto feito para o português e para o contexto brasileiro, informou o Jornal Opção. O modelo foi apresentado na quarta-feira, 28 de outubro, durante o AI Brasil Experience 2026, em São Paulo, e pode ser baixado gratuitamente, com o objetivo de servir de base para que empresas criem suas próprias ferramentas.

O Lumi tem 4 bilhões de parâmetros, um porte escolhido para que funcione em estruturas computacionais mais acessíveis. Diferentemente de serviços de conversa como o ChatGPT ou o Gemini, ele foi pensado para ser baixado, alimentado com os dados da própria organização e treinado para usos específicos, inclusive na infraestrutura da empresa. Arlindo Galvão, diretor de Inovação Aberta do Ceia e um dos responsáveis pelo desenvolvimento, afirmou que a dependência de plataformas estrangeiras e os custos de operação muitas vezes atrelados ao dólar afastam muitas empresas brasileiras da IA.

Segundo o Ceia, o modelo foi treinado com mais de 100 bilhões de tokens de texto em português para lidar melhor com expressões e particularidades do uso brasileiro. Galvão contou que o centro já testou a abordagem em setores como energia e educação, incluindo um projeto com a Cemig que deu origem a um modelo para o setor elétrico chamado Energy GTT. Ele disse que o Lumi teve desempenho competitivo diante de modelos de propósito geral nos testes, mas ressaltou que os resultados dependem da tarefa.

O que isso muda na prática

Ceia da UFG lança o Lumi, modelo gratuito de 4 bilhões de parâmetros em português que empresas podem treinar com seus próprios dados — foto ilustrativa

O Lumi se soma a um grupo pequeno, mas crescente, de modelos de linguagem feitos no Brasil. O laboratório nacional de computação científica lançou recentemente o Manacá-1B, modelo aberto em português, e grandes empresas privadas constroem os seus, como quando o Itaú fechou a compra da NeoSpace para desenvolver modelos próprios. Um modelo gratuito saído de uma universidade pública oferece às empresas menores um ponto de partida sem uma conta alta de licenças.

Os limites práticos existem. As empresas ainda precisam de profissionais capazes de configurar e treinar o modelo, e um sistema de 4 bilhões de parâmetros não vai igualar os maiores modelos comerciais em todas as tarefas. Rodá-lo localmente pode ajudar a manter dados sensíveis dentro da empresa, mas só se os sistemas ao redor forem desenhados para isso. Galvão afirmou que o centro ainda não tinha um levantamento de empresas interessadas, embora já mantenha contato com negócios goianos.

A diretora do Ceia, Telma Soares, disse que o lançamento busca aproximar a pesquisa científica das demandas do mercado. O Lumi está disponível no Hugging Face, e materiais de apoio serão publicados no GitHub. O próximo passo a acompanhar são as versões especializadas que o Ceia diz preparar para saúde, direito e educação, e se empresas brasileiras vão divulgar aplicações reais construídas sobre o modelo.

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