UFMG inaugura o supercomputador Soberano para mapear o Brasil com inteligência artificial
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou um supercomputador batizado de Soberano, que vai usar inteligência artificial para mapear o território brasileiro, informou o g1 em 27 de outubro. A máquina está instalada no Instituto de Geociências da universidade, no campus Pampulha, em Belo Horizonte, e representa cerca de R$ 15 milhões em investimento público.
O Soberano funciona com oito processadores gráficos Nvidia H200, cada um com 141 GB de memória, apoiados por 400 terabytes de armazenamento. O projeto inclui ainda uma câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini xLW, que registra muito mais faixas de luz do que um sensor comum e ajuda a distinguir, do alto, tipos de solo, vegetação e minerais. Em conjunto, o equipamento deve processar imagens e treinar modelos que transformam dados brutos em mapas utilizáveis muito mais rápido do que os métodos manuais.
A demanda é grande. Apenas cerca de 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil estão mapeados na escala de 1:25.000, usada para o planejamento detalhado, segundo o projeto. A coordenadora Sônia Carvalho Ribeiro afirmou que a nova capacidade deve ajudar a reduzir essa lacuna. Entre os parceiros estão o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) do Exército, e o sistema deve apoiar órgãos como Inpe, Ibama e Conab.
O que isso muda na prática
Mapas melhores alimentam diretamente o monitoramento. Os usos previstos incluem acompanhar o desmatamento e o garimpo ilegal, avaliar o risco de enchentes e vigiar áreas de fronteira, um trabalho que se soma ao esforço do próprio Inpe depois que o instituto recebeu R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para alertas de desmatamento com IA. A Conab, que faz as previsões de safra, poderia usar dados hiperespectrais para estimar com mais precisão as áreas plantadas.
O Soberano é uma máquina de porte universitário, não um projeto nacional de referência, mas o nome reflete um debate mais amplo sobre o Brasil ter sua própria capacidade computacional. Os planos maiores andam mais devagar: o governo federal adiou a licitação do supercomputador de IA para depois do segundo turno, enquanto o LNCC avança com um sistema bilionário em Macaíba. Sistemas menores e direcionados, como o da UFMG, podem entregar resultados mais cedo em tarefas públicas específicas.
O próximo passo a observar é quais órgãos vão firmar acordos de compartilhamento de dados com a UFMG, com que rapidez os primeiros mapas gerados por IA serão validados pelos cartógrafos do Exército e se o modelo pode ser repetido em outras universidades federais.