Finep aprova financiamento de R$ 280 milhões para plataforma de inteligência clínica com IA do Einstein
A Finep, agência federal de fomento à inovação, aprovou R$ 280 milhões em financiamento para que o Hospital Israelita Albert Einstein desenvolva uma plataforma de inteligência clínica e saúde digital, informou o Estadão Conteúdo em 30 de outubro. O custo total do projeto deve chegar a R$ 300 milhões, e a Finep afirmou que a aprovação foi anunciada pelo ministro da Saúde.
Segundo a Finep, a plataforma vai reunir dados de saúde, modelos de inteligência artificial e ferramentas de apoio à decisão clínica. O objetivo é melhorar o atendimento aos pacientes do Einstein no setor privado e no Sistema Único de Saúde, o SUS, onde o grupo de São Paulo faz a gestão de serviços públicos e mantém projetos de pesquisa e inovação. O financiamento prevê carência de 36 meses e prazo total de pagamento de 192 meses.
O IBTimes Brasil informou que o sistema deve organizar informações clínicas de diferentes pontos de atendimento para que as equipes acompanhem a evolução dos pacientes, identifiquem padrões relevantes e sinalizem riscos, sem substituir os médicos. Integrar registros que ficam em sistemas separados, respeitando as regras de privacidade dos pacientes, é uma das partes mais difíceis da digitalização da saúde brasileira, e o projeto é apresentado como uma forma de aproveitar melhor dados que os hospitais já têm.
O que isso muda na prática
O empréstimo coloca um volume expressivo de crédito público por trás da IA hospitalar num momento em que o Brasil tenta desenvolver capacidades próprias, em vez de apenas comprá-las. O Einstein já vem testando ferramentas com o governo federal, como o CUTIS-AI, ferramenta offline para ajudar equipes do SUS a identificar doenças de pele negligenciadas, e a Finep também atua no capital de risco, onde se juntou ao BNDES para escolher a Monashees para gerir um fundo de IA de até R$ 500 milhões. Uma plataforma clínica desse porte é uma aposta de outra natureza: em vez de uma única ferramenta de diagnóstico, ela pretende ser a camada à qual outros modelos se conectam em uma grande rede hospitalar.
A Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, vai orientar a forma como os prontuários alimentam a plataforma. Os próximos pontos a observar são a rapidez com que as primeiras ferramentas chegam às unidades do SUS geridas pelo Einstein, quais fontes de dados serão integradas e se os resultados serão publicados de modo que outros hospitais possam aproveitá-los.