Meio ambiente

Câmeras com IA ampliam em 25% o monitoramento de incêndios no Pantanal, para quase 2 milhões de hectares

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Câmeras com IA ampliam em 25% o monitoramento de incêndios no Pantanal, para quase 2 milhões de hectares

As equipes que protegem o Pantanal estão recorrendo cada vez mais à inteligência artificial para identificar incêndios logo no início, informaram o g1 e o Jornal Nacional, da TV Globo, em 31 de outubro. Uma nova câmera instalada na Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul, e uma torre modernizada na parte mato-grossense do bioma ampliaram em 25% a área monitorada por IA, de 1,5 milhão de hectares para quase 2 milhões.

As câmeras ficam em pontos altos e precisam de visão ampla, nítida e de um zoom potente, porque o objetivo é enxergar fumaça a até 30 quilômetros de distância, explicou Igor Souza, analista de tecnologia do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). Alguns pontos só podem ser alcançados de barco. Em Mato Grosso, uma nova torre foi erguida sobre uma base estabilizadora ancorada por seis cabos, para não balançar com o vento. As imagens chegam a uma central de monitoramento mantida pelo instituto em Corumbá.

O sistema, chamado Pantera, analisa as imagens com IA e consegue detectar um incêndio a partir dos primeiros sinais de fumaça em até três minutos, segundo o presidente do IHP, Ângelo Rabelo. A tecnologia é usada no bioma há quatro anos. A cobertura agora inclui áreas remotas da região do Amolar, que reúne várias áreas protegidas, um parque nacional e um sítio do patrimônio natural mundial da UNESCO.

O que isso muda na prática

Câmeras com IA ampliam em 25% o monitoramento de incêndios no Pantanal, para quase 2 milhões de hectares — foto ilustrativa

A rapidez importa porque o fogo cresceu neste ano. De janeiro a setembro de 2026, o fogo atingiu 145.000 hectares do Pantanal, 129% a mais que no mesmo período de 2025, segundo o Jornal Nacional. Identificar um foco nos primeiros minutos dá às brigadas a chance de chegar antes que o vento e a vegetação seca o espalhem por áreas de acesso lento. O projeto se soma a outros usos ambientais da IA no Brasil, como os R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para os alertas de desmatamento com IA do INPE e a ferramenta TITAN-LSTM, da USP, que prevê tempestades 30 minutos antes em um notebook.

As câmeras não substituem os brigadistas em campo, e a detecção depende da visibilidade e da posição das torres, por isso grandes partes do bioma continuam fora do alcance delas. A reportagem não informou quantos alertas o sistema emitiu nesta temporada nem com que rapidez as equipes chegaram aos focos.

Os próximos pontos a observar são se novas torres serão instaladas antes da próxima estiagem, se a detecção mais rápida vai se traduzir em menos área queimada e se os serviços de combate a incêndios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul vão integrar os alertas aos seus próprios sistemas de despacho.

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